{"id":410,"date":"2020-08-20T15:15:39","date_gmt":"2020-08-20T15:15:39","guid":{"rendered":"https:\/\/institutonawa.org\/?p=410"},"modified":"2020-09-17T04:29:47","modified_gmt":"2020-09-17T07:29:47","slug":"lorem-ipsum-dolor-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutonawa.org\/pt_br\/uncategorized\/lorem-ipsum-dolor-3\/","title":{"rendered":"Os Huni Kuins"},"content":{"rendered":"\n<p>O povo Huni Kuin habita a fronteira brasileira-peruana da Amaz\u00f4nia. Em territ\u00f3rio brasileiro, as aldeias est\u00e3o localizadas no estado do Acre, perto do munic\u00edpio de Jord\u00e3o, e se espalham pelos rios Taruac\u00e1, Jord\u00e3o, Breu, Muru, Envira, Humait\u00e1 e Purus.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados do Siasi\/Sesai 2014, a popula\u00e7\u00e3o ultrapassa os 10 mil indiv\u00edduos, e \u00e9 a mais numerosa do Acre: corresponde a 43% do total de ind\u00edgenas do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Huni Kuin significa \u201cpovo verdadeiro\u201d ou \u201cpovo da fuma\u00e7a\u201d em Hatxa Kuin, a \u201cl\u00edngua verdadeira\u201d, derivada do tronco lingu\u00edstico Pano. Os Huni Kuin tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos por Kaxinaw\u00e1, nome que ganharam de outros povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os povos ind\u00edgenas brasileiros sofreram uma onda de exterm\u00ednio j\u00e1 no primeiro contato com os colonizadores, ap\u00f3s o \u201ctal descobrimento\u201d do Brasil. Posteriormente, com a chegada dos seringueiros no final do s\u00e9culo XIX, muitos Huni Kuin resolveram avan\u00e7ar para \u00e1reas mais isoladas da floresta, numa tentativa de fugir da escraviza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os que acabaram se rendendo ao dom\u00ednio dos seringueiros afastaram-se um pouco da cultura ind\u00edgena tradicional &#8211; fato que at\u00e9 hoje tenta ser revertido pelas demais gera\u00e7\u00f5es. Este resgate esbarrou em dificuldades como a escassez de pessoas que tenham vivido uma vida tipicamente aldeada, presenciando os rituais, cantos, dan\u00e7as, artesanato, pintura corporal e todas as demais tradi\u00e7\u00f5es que fazem parte desta cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o Huni Kuin, o esp\u00edrito (Yuxin) n\u00e3o \u00e9 considerado externo ao ser \u2013 o espiritual est\u00e1 na vida di\u00e1ria, nos animais, na terra, na \u00e1gua, no c\u00e9u. Para eles, as pessoas s\u00e3o formadas por corpo e Yuxin, assim como as plantas e os animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os rituais mais tradicionais celebrados pelos Huni Kuin est\u00e3o o Nixpu Pim\u00e1 (ritual de batismo) e o Katxanaw\u00e1 (ritual da fertilidade da terra).<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade Huni Kuin possui pap\u00e9is de g\u00eanero bem definidos. Desde cedo as crian\u00e7as s\u00e3o ensinadas a realizar as tarefas que lhes correspondem, e quando adultos continuar\u00e3o a se juntar a um grupo de homens ou de mulheres para a maior parte das atividades di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Huni Kuin, tradicionalmente, formam casamentos entre parentes, normalmente entre primos. A chegada do primeiro filho \u00e9 considerada o momento em que a adolescente torna-se mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres s\u00e3o respons\u00e1veis pelos cuidados com a casa, com as crian\u00e7as e pelo preparo da comida, que inclui mingaus feitos de banana, pratos \u00e0 base de mandioca, amendoim e milho. Outras atividades femininas envolvem fiar e tecer o algod\u00e3o, fabricar cestos e esteiras. Os homens t\u00eam a tarefa de cuidar do ro\u00e7ado, de pescar e de sair \u00e0 ca\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A etnia Huni Kuin \u00e9 formada por verdadeiros bot\u00e2nicos: trabalham com esp\u00e9cies vegetais medicinais integradas ao ambiente da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desenhos t\u00edpicos Huni Kuin respeitam uma geometria sagrada ensinada pela Yube (Jiboia) e s\u00e3o chamados de ken\u00eas. Mais do que decora\u00e7\u00e3o, simbolizam cura e prote\u00e7\u00e3o e aparecem nos corpos, nas cer\u00e2micas, na tecelagem e em adere\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, o Instituto de Pesquisas Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, em conjunto com a Dante Editora, publicou o livro Una Isi Kayawa &#8211; Livro da Cura do povo Huni Kui do Rio Jord\u00e3o &#8211; Acre. Este foi um trabalho do renomado bi\u00f3logo Alexandre Quinet ao lado do paj\u00e9 Agostinho, e o livro apresenta lendas, receitas e muita hist\u00f3ria boa dos povos ancestrais que, at\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 haviam sido passadas por conversas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo Huni Kuin habita a fronteira brasileira-peruana da Amaz\u00f4nia. Em territ\u00f3rio brasileiro, as aldeias est\u00e3o localizadas no estado do Acre, perto do munic\u00edpio de Jord\u00e3o, e se espalham pelos rios Taruac\u00e1, Jord\u00e3o, Breu, Muru, Envira, Humait\u00e1 e Purus. 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